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Ciano bactérias (algas azuis, cianofíceas, nori jou, blue-green algae)

17 de junho de 2011

Por: Caio Bianco

Muito conhecidas como algas azuis, as cianobactérias apresentam, ao mesmo tempo, características de algas e de bactérias. A característica que as assemelham as algas é a possibilidade de fazer fotossíntese e ao mesmo tempo são microorganismos procarióticos, ou seja, sua estrutura celular corresponde a célula de uma bactéria.

Cianobactérias podem ser unicelulares, ou seja, de uma única célula, colônia de células únicas ou cadeia de células filamentosas, comumente rodeadas por um revestimento gelatinoso. Elas não possuem reprodução sexuada, mas em condições desaforáveis, as cianobactérias produzem células especializadas que são cheias de reserva alimentícia.

As algas azuis podem ser o terror de muitos aquariofilistas, já que esses microorganismos possuem uma grande flexibilidade a adaptações bioquímicas, fisiológicas, genéticas e reprodutivas o que garantem a perpetuação em ambientes aquáticos de água doce ou salgada.

Aquaristas têm a oportunidade de observar um fenômeno que é importante no ciclo global do nitrogênio. Cianobactérias são capazes de coletar nitrogênio dissolvido na atmosfera e armazenar em seus tecidos celulares. Quando elas morrem e se decompõem ou quando são comidas por peixes herbívoros, esse nitrogênio armazenado retorna a água como amônia, deste modo, fornecendo comida a outras algas. Assim, aquários sem peixes e sem adição de comida podem, com uma população de cianobactéria e um filtro de bactérias aeróbicas, desenvolver altos níveis de nitrato acumulado.

A Spirulina, uma espécie de cianobactéria muito popular como “alimento nutritivo”, vem sendo utilizada a tempos pelo seu alto valor nutricional e pelo fácil cultivo em lagos. Muitas outras cianobactérias são tóxicas a humanos e animais.

Como identificar?
Nem todas as cianobactérias, apesar de serem conhecidas como algas azuis, apresentam a coloração azulada. Algumas apresentam a coloração verde azulada, verde escuro e verde brilhante. Possuem também, um cheiro muito forte de mofo e podem se fixar nas pedras, troncos, substratos, plantas e decoração. São muito comuns em aquários novos que ainda não estão estabilizados e normalmente começam a se proliferar a partir do solo e, posteriormente, se alastrando por todo o aquário.

Porque aparecem?

Normalmente, o aparecimento das cianobactérias denuncia que a água do aquário se encontra em condições abaixo das desejáveis. Filtros novos, pouca oxigenação, alta temperatura, baixa movimentação da água e acumulo de matéria orgânica podem ser fatores importantes para serem observados. A iluminação também pode ser um fator de cuidado, pois tanto o excesso quanto a falta dela pode favorecer a formação das cianobactérias.

Como controlar?
A princípio, uma boa sifonagem e limpeza do filtro devem ser feitas, mas isso não vai resolver o problema a longo prazo. Trocas parciais de até 30% e o controle do excesso de iluminação deverão ser uma rotina enquanto as cianobactérias estiverem no aquário, isso sem esquecer de continuar sifonando em todas as trocas parciais e fazendo sempre a limpeza do filtro. Ao mesmo tempo, o máximo de cianobactérias devem ser removidas com as mãos ou utilizando o próprio sifão como instrumento.

Um aquário bem plantado, com plantas de crescimento rápido, pode ajudar a combater as cianobactérias, pois essas plantas vão competir pelos mesmos nutrientes necessários para a proliferação das cianobactérias.

Caso isso não resolva, um tratamento de choque sem a utilização de medicamentos poderá ser feito. No exterior, uma técnica muito difundida e pouco conhecida aqui no Brasil é a “3-day blackout” ou “apagão de 3 dias”. Nessa técnica é feita uma troca parcial de 30% a 40% da água e em seguida a iluminação é desligada e o aquário coberto com um pano preto ou qualquer outro material que impossibilite a passagem da luz. O aquário deverá ficar nesse estado por 3 dias seguidos e logo após o final da aplicação dessa técnica, uma nova troca parcial deverá ser feita. As plantas não sofrerão em nada com esse apagão, mas as algas deveram estar enfraquecidas o suficiente para serem exterminadas.

A utilização do esterilizador Cubos UV Light no tratamento e prevenção das cianobactérias é muito indicado, mas não consegue resolver o problema por completo. A radiação UVc conseguira acabar com a reprodução por esporos, mas nem todas cianobactérias se reproduzem dessa forma. Existem também cianobactérias que se reproduzem por divisão celular ou fragmentação.

Por isso a utilização do esterilizador Cubos UV Light deverá ser feita em paralelo com todos os cuidados citados acima na prevenção desses terríveis microorganismos.


Uma introdução à química para aquicultura de água doce

17 de junho de 2011

Joseph K. Buttner, SUNY College em Brockport
Richard W. Soderberg, Universidade de Mansfield
Daniel E. Terlizzi, Universidade de Maryland Sea Grant Extension Program
Tradução: Caio Bianco

A maioria dos fatores na qualidade da água que são importantes para o aquarismo de água doce e os métodos para monitorá-los estão descritos nesse artigo. A qualidade da água não vai apenas determinar como os peixes irão crescer, mas se vão ou não sobreviver. Peixes influenciam a qualidade da água através de processos como o metabolismo do nitrogênio e respiração. O conhecimento dos processos de teste e a interpretação dos resultados são importantes para o aquarista.


Alguns fatores de qualidade da água estão mais envolvidos diretamente com a morte de peixes como oxigênio dissolvido, temperatura e amônia. Outros, como pH, alcalinidade, dureza e iluminação afetam os peixes, mas usualmente não são diretamente tóxicos. Cada fator de qualidade da água interage e influencia outros parâmetros, algumas vezes de formas complexas. O que pode ser tóxico e causar mortalidade em uma situação pode ser menos prejudicial em outra. A importância de cada fator, o método de determinação e a frequência de monitoramento dependem de cada sistema utilizado.

Variáveis de qualidade da água

Temperatura
Todos os processos químicos e biológicos no aquarismo são influenciados pela temperatura. O peixe ajusta a temperatura do seu corpo e a taxa de metabolismo se movendo através da água mais e menos quente. Cada espécie possui uma faixa de preferência, ou ideal, na qual se desenvolve melhor. Em temperaturas acima ou abaixo da ideal, o crescimento do peixe pode ser reduzido. Mortalidades podem acontecer em temperaturas extremas.

Oxigênio dissolvido
A quantidade mínima de Oxigênio dissolvido (DO – Dissolved Oxygem) que o peixe pode tolerar em segurança depende da temperatura e, até certo ponto, da espécie do peixe. A solubilidade do oxigênio diminui com o aumento da temperatura. Em lagos, a temperatura pode mudar dramaticamente em um período de 24h. Durante o dia o oxigênio é produzido pela fotossíntese, processo pelo qual plantas convertem água e dióxido de carbono, na presença de luz, em oxigênio e carboidratos. Durante o dia o processo de fotossíntese produz mais oxigênio do que consome. Normalmente, o nível de oxigênio é menor logo antes do amanhecer e maior no final da tarde.

No aquarismo, o DO deve ser mantido em níveis acima do considerado estressante para os peixes. Peixes de água mais quente (espécies que crescem melhor em temperaturas acima de 25,5ºC) podem tolerar concentrações menores de DO do que peixes de água fria (espécies que crescem melhor em temperaturas abaixo de 15,5ºC). Em regra geral o DO deve ser mantido em 3,0 ppm (partes por milhão; frequentemente usada como miligrama por litro, mg/L) e 5,0 ppm para peixes de água quente e fria respectivamente. Exposições prolongadas a níveis baixos não letais de DO, constituem em estresse crônico e vão ocasionar com que o peixe não se alimente, reduz a capacidade de converter a comida ingerida, e os torna mais suscetíveis a doenças. A criação de peixes em lagos, aquários ou sistemas de recirculação, necessita de aeração ou oxigênio para manter níveis seguros de DO.

Perdas de Nitrogênio
A maior parte dos peixes e invertebrados de água doce excreta amônia como sua principal perda de nitrogênio. Métodos analíticos são utilizados para determinar o total de nitrogênio – amônia (TAN – Total ammonia-nitrogen). O total de TAN que existe de forma ionizada e não-ionizada varia de acordo com o pH e a temperatura. Com o aumento do pH e da temperatura, a quantidade de TAN na forma tóxica não-ionizada também aumenta (veja Figura 1). Peixes continuamente expostos a mais de 0,02 ppm de amônia na forma não-ionizada pode apresentar redução no crescimento e suscetibilidade a doenças.

Quando a quantidade de peixes for grande e a alimentação for rica em proteínas, a quantidade de amônia liberada na água será alta. A amônia e outras sobras metabólicas são gradualmente removidas por processos naturais em lagos ou através do uso de filtros biológicos em sistemas de recirculação. A amônia é removida por bactéria que, inicialmente, convertem em nitrito e posteriormente em nitrato. O nitrito é tóxico ao peixe e causa a doença do “sangue marrom” (brown blood). Concentrações de 0,5 ppm reduzem o crescimento e afeta o peixe desfavoravelmente. Os peixes conseguem tolerar nitrato em centenas de ppm. A remoção ou desintoxicação da amônia é facilitada oferecendo e mantendo um ambiente ideal para as bactérias que conduzem esse processo (pH entre 7 e 9; temperatura entre 24ºC e 30ºC).

pH
A concentração de ácidos e bases na água determina o seu pH. Um pH baixo é acido e um alto pH é básico, o pH em 7 é neutro. Peixes sobrevivem e crescem melhor em água com pH entre 6-9. Se a leitura do pH estiver fora dessa faixa, o crescimento do peixe será reduzido. Se o valor estiver abaixo de 4.5 ou acima de 10, mortalidades acontecerão.

Em lagos com boa reserva alcalina (KH acima de 50-100 ppm, veja próxima sessão), o pH tipicamente flutua uma ou duas unidades diariamente. Na parte da manhã, os níveis de dióxido de carbono estão altos e o pH está baixo com o resultado da respiração durante a noite (dióxido de carbono forma ácido quando dissolvido em água). Após o nascer do sol, algas e outras plantas produzem carboidratos e oxigênio como resultado da fotossíntese. Quando o dióxido de carbono é removido da água, o pH sobe. O pH mais baixo durante o dia está, normalmente, associado ao mais baixo nível de oxigênio dissolvido. O pH mais alto do dia está, tipicamente, associado com altos níveis de oxigênio dissolvido.

Em sistema de recirculação, a respiração dos peixes e das bactérias do filtro biológico abaixa o pH. Frequentemente, bicarbonato de sódio é adicionado para prevenir que o pH caia muito, pois ele tem efeito de aumentar a reserva alcalina.

Reserva alcalina
A capacidade de tampão da água, expressas em ppm de carbonato de cálcio, é a reserva alcalina. A reserva alcalina é a medida de íons de carbonatos e bicarbonatos (íons são átomos ou grupo de átomos com carga positiva ou negativa) dissolvidos na água. Quando a quantidade de dióxido de carbono flutua, o pH da água sofre mudanças.

A magnitude dessas mudanças é determinada pela capacidade de tampão (reserva alcalina) da água ou sua habilidade de absorver ácidos e/ou bases. Atividades fotossintéticas em águas com pouca reserva alcalina podem ocasionar um aumento do pH, talvez para menos de 6 na manhã e mais de 9 na parte da tarde.

Em aquários ou lagos com altas reservas alcalinas, o mudança de pH é reduzida. A principio, a mudança de pH em um aquário com boa reserva alcalina pode flutuar de um pH de 7 na manhã e 8 no final da tarde. Uma boa medida de reserva alcalina é de 20 a 300 ppm. Uma reserva alcalina superior a 3000 ppm, não irá prejudicar diretamente os peixes, mas poderá interferir na ação de alguns produtos químicos (ex. sulfato de cobre).

A reserva alcalina se mantém relativamente constante em lagos, mas diminui regularmente em aquários sem suplementos. A reserva alcalina pode ser aumentada colocando-se pedra calcária em lagos ou bicarbonato de sódio em aquários.

Dureza
Íons de cálcio e magnésio definem a dureza da água. Testes normalmente determinam os dois íons como “dureza total”, expressa em ppm de carbonato de cálcio. Na maioria das águas, a concentração de reserva alcalina e dureza são similares, porém podem diferir drasticamente já que reserva alcalina mede íons negativos (carbonato, bicarbonato) e dureza mede íons positivos (cálcio, magnésio). A dureza é importante, especialmente, na criação comercial de várias espécies de peixes. Se a dureza estiver deficiente, algumas espécies não crescem adequadamente. A dureza deve estar acima de 50 ppm; baixa dureza pode ser corrigida com adição de cloreto de cálcio.

Dióxido de Carbono
Em altas concentrações, o dióxido de carbono ocasiona a perda de equilíbrio, desorientação e posterior morte dos peixes. Testes na água antes do uso e a aeração ou oxigenação se necessários, irão reduzir o dióxido de carbono a níveis aceitáveis.

Salinidade
A concentração total de todos os íons na água é a salinidade. Peixes de água doce apresentam uma faixa de tolerância de salinidade. A salinidade afeta não apenas a regulagem osmótica, mas também influencia a concentração de íons não-ionizados de amônia.

Salinidade
A concentração total de todos os íons na água é a salinidade. Peixes de água doce apresentam uma faixa de tolerância de salinidade. A salinidade afeta não apenas a regulagem osmótica, mas também influencia a concentração de íons não-ionizados de amônia.

Cloro
Para controlar as bactérias, a água de distribuição pública é normalmente tratada com cloro a 1,0 ppm. Se essa água é utilizada para a criação de peixes, o cloro deve ser removido por aeração, com produtos químicos como o tiossulfato de sódio, ou filtragem através de carvão vegetal ativado. Mesmo níveis de cloro baixos, como 0.02 ppm, podem estressar os peixes.

Sulfito de Hidrogênio
Lagos com fundo pouco oxigenado e matéria orgânica acumulada podem liberar sulfito de hidrogênio quando movimentados. Substratos sob forte alimentação podem acumular sobras e produzir sulfito de hidrogênio gasoso caso o oxigênio se torne deficiente. O sulfito de hidrogênio gasoso tem cheiro de ovo podre e é extremamente tóxico aos peixes. Qualquer odor ou níveis detectados devem ser evitados e cuidados extremos devem ser tomados no manuseio de peixes em lagos contaminados. O lago pode ser esvaziado, exposto ao ar e/ou escavado para corrigir o problema.

Transparência da água
Em lagos de peixes, a transparência da água pode afetar os peixes. Se o peixe que prefere águas turbidas for criado em águas relativamente claras, ele ira se estressar; crescimento e desenvolvimento serão desfavoravelmente afetados. O acumulo de sólidos em suspensão e a descoloração da água que ocorrem em sistemas de recirculação, podem causar irritação e doenças abruptas. Allguns matérias em suspensão ou dissolvidos podem causar “off-flavor” (odores/ gostos indesejáveis adquiridos pelos peixes durante o cultivo). Filtragens podem ser utilizadas para remover sólidos e reduzir a descoloração.

Métodos de monitoramento
Uma variedade de métodos estão disponíveis para o monitoramento da qualidade da água. Em lagos e criações pequenas, não é necessária a utilização de métodos sofisticados de alta precisão para a tomada de decisões. No entanto, criações intensivas em sistemas de recirculação e reutilização requerem um monitoramento freqüente e sofisticado.

Se o peixe for mantido em altas densidades, então a temperatura, oxigênio dissolvido, amônia, nitrito, nitrato e pH devem ser monitorados diariamente ou com mais frequência (ex. monitoramento contínuo de oxigênio dissolvido em sistemas de recirculação). A transparência, reserva alcalina e dureza podem ser monitoradas com menos frequência, talvez uma ou duas vezes por semana, já que elas não se alteram tão rapidamente. Salinidade, ferro e cloro devem ser determinados no momento que uma nova fonte de água for examinada pela primeira vez, para que com isso ações corretivas possam ser tomadas. O dióxido de carbono deve ser medido quando um novo substrato for utilizado em sistemas de recirculação. Quando existir problemas de sulfito de hidrogênio ou dióxido de carbono, o sistema deverá ser monitorado mais cuidadosamente e as medidas para a correção rapidamente executadas.

Em águas menos densas, os parâmetros de qualidade podem ser medidos com menos frequência ou, algumas vezes, nem precisam ser medidos. Independente de frequência, o monitoramento deve ser feito em horário padrão e profundidade onde os peixes se encontram. O horário e valores da medição devem ser anotados; um registro bem feito das anotações é essencial para o sucesso da aquicultura. Em lagos e aquários é preferível monitorar o oxigênio dissolvido na parte da manhã, quando condições mais estressantes para os peixes são mais comuns de acontecer (ex. pouco oxigênio). De modo inverso, a temperatura e o pH são melhores medidos no final da tarde.


O ciclo do nitrogênio

17 de junho de 2011

Por: Caio Bianco

O ciclo do nitrogênio é um processo biológico extremamente importante e que deve ser entendido por todos os aquaristas independentemente do tipo ou tamanho do aquário. Sua importância se deve ao fato de a qualidade da água e a saúde dos peixes estarem diretamente ligada a esse processo.


O ciclo do nitrogênio é um processo natural e que sempre acontecerá de forma completa ou incompleta em todos os sistemas aquáticos com peixes. Muitos já devem ter escutado: – “Esse aquário está equilibrado”. Isso realmente existe e nada mais é do que o processo do ciclo do nitrogênio acontecendo de forma harmônica e completa.

A matéria orgânica (resto de comida, folhas, fezes ou urina do peixe) é o inicio de todo o processo. Com a introdução da matéria orgânica na água, rapidamente a amônia (NH3) é formada na água do aquário. A molécula da Amônia é extremamente tóxica para o peixe e mesmo em baixas concentrações pode ser letal. No ciclo do nitrogênio a Amônia é convertida para um composto menos tóxico que é o Nitrito (NO2). Mesmo sendo menos tóxico que a Amônia, o Nitrito ainda é tóxico para os peixes e continuando no ciclo do nitrogênio, o Nitrito é convertido para Nitrato (NO3) onde o ciclo termina.

Todo esse processo de conversão (Amônia – Nitrito – Nitrato) é feito por intermédio de bactérias aeróbicas que usam o oxigênio (O2) no processo de conversão.

Os níveis de Amônia, Nitrito e Nitrato devem ser monitorados com freqüência no aquário, pois é através deles que podemos saber se o ciclo do nitrogênio está acontecendo de forma eficiente. O ideal é que praticamente toda a Amônia seja convertida para Nitrito e todo o Nitrito para Nitrato. Quando observamos níveis altos de Amônia, significa que as bactérias que convertem a Amônia em Nitri to não estão conseguindo cumprir seu papel, provavelmente porque estão em quantidade insuficiente para processar toda a Amônia gerada. As bactérias levam certo tempo para se multiplicar e formarem uma colônia com bactérias suficiente para processar a Amônia gerada e, quando colocamos muita comida na água ou quando muitos peixes são introduzidos ao mesmo tempo, não há tempo hábil para a procriação da colônia ocasionando o aumento abrupto da Amônia. Tudo isso acontece de forma semelhante para o Nitrito.

Entendendo bem esse processo, o hobby do aquarismo se torna bem mais prazeroso já que muitos problemas são resolvidos com base nesse conhecimento.


A importância do monitoramento dos parâmetros da água

17 de junho de 2011

Por: Caio Bianco

Ter um aquário, ou ser um aquarista não se resume apenas em colocar água e peixes em um recipiente de vidro. A arte do aquarismo vai bem além disso, e nesse pequeno artigo, veremos de forma resumida os principais parâmetros da água podem afetar a vida dos peixes e dos organismos vivos que nela habitam.

Oxigênio
Os organismos vivos utilizam o oxigênio para a respiração e produção de energia. No aquário esse oxigênio se dissolve na água através do contato com o ar, sendo utilizado então pelos peixes, bactérias nitrificantes (bactérias benéficas) e plantas. Quanto mais agitada a superfície da água, maior será a troca gasosa com o ar e maior será a quantidade de oxigênio que entrará na água. Outra forma de aumento da quantidade de oxigênio dissolvido na água é pela fotossíntese das plantas.

Os peixes absorvem o oxigênio pelas brânquias e se a quantidade de oxigênio não for suficiente sua saúde pode ser afetada causando até a morte do peixe. Já que o peixe consome oxigênio na respiração, a tendência é que o oxigênio diminua com o passar das horas. As bactérias nitrificantes também consomem muito oxigênio para “quebrar” a matéria orgânica acumulada na água do aquário. Todo esse consumo de oxigênio deve ser compensado por uma boa aeração do filtro ou por uma bomba dedicada a essa tarefa. Um aquário com 4mg/l de oxigênio dissolvido está dentro dos padrões mínimos aceitáveis para a maioria das espécies de peixes. O oxigênio dissolvido não é um fator que deve causar pânico ao aquarista, pois dificilmente um aquário apresenta problemas por esse motivo, já que os filtros mais modernos cumprem muito bem o seu papel na oxigenação.

Dióxido de Carbono
O Dióxido de Carbono (CO2) é liberado na água como subproduto da respiração de plantas (é, planta também respira) e peixes. É um parâmetro muito importante que deve ser observado principalmente em aquários plantados porque ele é fundamental para a fotossíntese das plantas. Em níveis muito altos, o Dióxido de Carbônico pode matar os peixes intoxicados e em níveis muito baixos as plantas irão morrer por não conseguirem fazer a fotossíntese. Aquariastas que não possuem plantas naturais em seus aquários devem apenas se preocupar em manter uma boa movimentação na superfície da água, pois de mesma forma que o oxigênio, o CO2 consegue sair da água quando em contato com o ar. O ph da água (veremos mais a frente) também é afetado pala quantidade de CO2 dissolvido na água e, quanto maior for essa quantidade menor será o pH.

Cloro
A água encanada das cidades possui cloro para que possíveis bactérias possam ser mortas e a água fique saudável para o consumo humano. Por outro lado, o Cloro no aquário é extremamente tóxico para os peixes e pode matar as bactérias nitrificantes destruindo o equilíbrio biológico do aquário. Por isso, nunca adicione água de torneira diretamente no aquário e sempre faça o teste de Cloro para verificar se a água está realmente sem esse gás. Caso seja constatada a presença do Cloro na água, utilize produtos removedores de Cloro ou deixe a água descansando em um recipiente por 48h que o Cloro sairá da água naturalmente.

Amônia
Os compostos orgânicos como resto de comida, fezes e urina dos peixes, folhas ou peixes mortos, formam rapidamente a Amônia (NH3). Esse composto químico é terrivelmente tóxico aos peixes, níveis de 0,02 mg/l podem ser tóxicos aos peixes a longo prazo e níveis maiores do que 0,02mg/l poderão matar os peixes em pouco tempo, questão de horas. A Amônia pode causar nos peixes a destruição das brânquias, dificuldade na respiração, destruição da camada de muco protetora da pele, sangramentos internos e externos, doenças, natação irregular, e suicídio (quando o peixe pula para fora do aquário). O desejado é que a Amônia fique sempre ausente na água do aquário, por isso utilize testes de Amônia freqüentemente e caso o teste de valores alterados procede imediatamente uma troca parcial de água de pelo menos 50% e tente descobrir o que está ocasionando essa alta na Amônia.

Nitrito
As bactérias nitrificantes (Nitrosomonas spp.) presentes no filtro biológico do aquário utilizam o oxigênio e convertem a Amônia para um composto bem menos tóxico, o Nitrito (NO2). Apesar de o Nitrito ser menos tóxico que a Amônia, ele ainda é perigoso na água do aquário e também pode ocasionar a morte dos peixes. É normal observar um aumento no Nitrito (curtos períodos) em aquários novos e quando peixes são adicionados ao aquário. Níveis letais desse composto irão variar muito para cada espécie de peixes, mas em geral, níveis acima de 0,2mg/l podem ser mortais. O envenenamento por Nitrito tem, como um dos sintomas, problemas na respiração do peixe.

Nitrato
O Nitrato (NO3) é o resultado da conversão do Nitrito pelas bactérias benéficas do aquário e é o produto final da filtragem biológica. Da mesma forma que a Amônia é convertida pelas bactérias Nitrosomonas spp. em Nitrito, as bactérias Nitrobacter spp convertem o Nitrito em Nitrato. O Nitrato é bem menos tóxico que a Amônia e o Nitrito, mesmo assim, em altas concentrações pode ser prejudicial aos peixes. As maiorias dos peixes possuem uma tolerância ao Nitrato que varia de 50 a 250mg/l, mas existem peixes que conseguem tolerar níveis mais altos ainda. A saúde dos peixes é afetada de forma indireta pelo Nitrato. Em altas concentrações desse composto, o peixe pode ficar estressado diminuindo assim a sua imunidade natural a doenças. Com o tempo, a água do aquário vai ficando com cada vez mais quantidade de Nitrato e esse composto não consegue sair da água por ação do filtro biológico. A forma mais fácil de diminuir a quantidade de Nitrato na água é com a troca parcial de água, a famosa TPA. Dessa forma, removendo uma parte da água e completando com água nova, o nitrato restante no aquário será diluído diminuindo assim a sua concentração. O carvão ativado não consegue remover o Nitrato ou outros íons na água do aquário. A Zeolita pode ser utilizada para esse fim.

pH
Entramos agora no estudo do pH, com certeza o primeiro parâmetro químico que todo o aquarista toma conhecimento. Cada espécie de peixe prefere um certo pH, que normalmente é o mesmo do encontrado em seu habitat natural. A escala de pH, varia de 1 a 14 onde o valor de 7 é chamado de pH neutro. Qualquer valor acima de 7 torna a água cada vez mais alcalina e, valores abaixo de 7 deixam a água acida. Peixes como os Ciclídeos Africanos, preferem água alcalina, ou seja, com pH mais alto que 7 e peixes como os Acarás Bandeira e Acarás Discus já gostam de água acida, com o pH abaixo de 7. Alguns peixes até se acostumam vivendo em pH diferente do de seu habitat natural, mas nunca viverão de forma “feliz” e não irão apresentar suas melhores cores e ainda poderão ficar mais suscetíveis a doenças. O monitoramento do pH deve ser feito tanto na água do aquário, para verificar se está de acordo com os peixes presentes nele, como deve ser feita também na água das trocas parciais, que também devem estar no mesmo pH do aquário. Caso seja necessário corrigir o pH tanto para cima como para baixo, basta adquirir produtos corretivos específicos para esse fim.

Temperatura
Os cuidados com os parâmetros da água, não se restringem a parâmetros químicos. A temperatura é um parâmetro que, apesar de não ser químico, é de vital importância para o aquário. Uma variação brusca na temperatura da água pode ser muito prejudicial a vida no aquário. Cada espécie de peixe prefere uma faixa de temperatura, tome cuidado para não misturar peixes de temperaturas diferentes (isso serve também para o pH). Aquários de peixes tropicais, devem obrigatoriamente possuir um aquecedor para que a variação de temperatura seja a mínima. Para que se possa controlar a temperatura é preciso também de um termômetro que irá medir a temperatura atual da água. Nas trocas parciais de água, evite colocar a água nova em uma temperatura muito diferente da encontrada no aquário, principalmente no inverno onde a água de torneira se encontra em uma temperatura bem abaixo da maioria dos aquários.

Como vimos, o controle dos parâmetros da água são de fundamental importância para um aquário bem sucedido. Com um pouco de conhecimento e com os equipamentos e produtos corretos, essa tarefa se torna muito fácil e prazerosa de ser feita.


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